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Redação Afya - nov 8, 2021

Quais profissões atuam diretamente no planejamento das cidades?

No Brasil, existem nove cidades planejadas dentre os milhares de municípios espalhados de norte a sul. Uma das primeiras capitais foi Belo Horizonte (MG), inaugurada em 1897 e nascida das mãos do engenheiro e urbanista Aarão Reis, que projetou cada um dos bairros contidos dentro dos limites da Avenida do Contorno, cuja razão do nome vocês já podem adivinhar. As outras cidades são: Palmas (TO), Teresina (PI), Aracaju (SE), Goiânia (GO), Maringá (PR), Boa Vista (RR), Salvador (BA) e, por último, mas não menos importante: a capital do nosso país, Brasília (DF).

O grande diferencial destas cidades em relação às que surgiram de forma espontânea são alguns benefícios fáceis de serem percebidos. Em geral, as cidades planejadas possuem mais áreas verdes preservadas, calçadas amplas e bairros simétricos que, em conjunto, favorecem a livre circulação de pessoas e veículos de forma ordenada. No entanto, o fato de um município não ter sido planejado em sua origem não significa que esteja jogado a própria sorte para sempre. Muito antes o contrário.

O planejamento das cidades serve para melhorar a vida de seus habitantes, por meio da oferta justa de transporte, moradia, lazer e bem-estar. Dessa forma, seria contra intuitivo pensar que estes planos são feitos uma vez só e acabou, visto que os centros urbanos estão em constante expansão populacional. Na prática, os projetos acompanham o crescimento da população e suas demandas.

De acordo com a Constituição Federal de 1988, um município deve ter ao menos 20 mil habitantes para possuir um Plano Diretor. É por meio deste dispositivo que os agentes públicos podem intervir no desenho urbanístico das cidades de tempos em tempos. Tal iniciativa parte do Prefeito (Poder Executivo Municipal), responsável por propor um debate com a comunidade para que suas necessidades sejam atendidas e transformadas em Lei pela Câmara.

Como você observou, existem diversas características em torno da composição das cidades. E embora o trabalho completo dependa da atuação de uma equipe multidisciplinar, são os arquitetos urbanistas e os engenheiros civis que assumem a liderança

Arquiteto urbanista

Arquitetura e Urbanismo é a graduação para quem quer trabalhar todos os dias visando construir uma relação mais positiva entre as pessoas e o meio urbano em que elas vivem. Neste curso, os alunos aprendem técnicas e princípios teóricos que juntos contribuirão para o desenvolvimento ordenado das cidades, minorando possíveis impactos ambientais, sociais e econômicos.

Um bom arquiteto precisa ter visão de longo prazo, pois seus projetos devem atender às demandas de várias gerações e não apenas solucionar problemas imediatos. Assim, são evitadas reformas que afetem o orçamento público. Abaixo listamos três elementos trabalhados por arquitetos urbanistas.

Desenho urbano

Esta parte abarca o planejamento físico-territorial do espaço, baseados nos sistemas de infraestrutura, como saneamento básico, abastecimento de energia e rede telefônica, por exemplo. A partir dos dados que informam a capilaridade destes serviços e outras informações sobre o lugar, o arquiteto pode projetar intervenções em prol da sociedade. Quando a cidade ainda não foi construída, planejar essa infraestrutura e sua localização também compõe o escopo do trabalho desse profissional.

Patrimônio histórico cultural e artístico

Arquitetos urbanistas também contribuem para o bem-estar das pessoas por meio da restauração de monumentos arquitetônicos e urbanísticos. Afinal, um povo que é privado de conhecer a sua própria História está fadado a cometer os erros do passado. Nesse sentido, a atuação destes profissionais contribui para a manutenção da memória de uma cidade, ao longo de várias gerações. Além disso, eles também têm conhecimento e habilidade para projetar soluções tecnológicas a fim de que espaços antigos sejam reutilizados, preservando suas características históricas.

Segurança

Você com certeza já assistiu a alguma reportagem sobre desmoronamentos de encostas e enchentes que destroem casas e famílias durante o período das chuvas. Pois bem! Tragédias como estas acontecem devido à topografia dos lugares nos quais a ocupação do solo é contraindicada devido às suas características naturais. Neste contexto, o trabalho do arquiteto gira em torno da leitura, interpretação e análise de dados que o permitem identificar a existência de áreas de risco nos municípios e sugerir intervenções pela segurança de seus residentes.

Engenheiro civil

Alguns engenheiros civis optam pela especialização em Engenharia Urbana, oferecida em cursos de pós e mestrado, para atuarem diretamente no planejamento das cidades. No entanto, o próprio diploma em Engenharia Civil já capacita o estudante a trabalhar neste setor após a formatura e o registro no CREA. A seguir, veremos duas áreas urbanísticas que podem ser coordenadas por estes profissionais.

Estradas e transportes

Planejar, construir e implementar diversos sistemas de transporte em harmonia com as edificações que já existem e o meio ambiente. Parece muita coisa, certo? Mas ainda tem mais. Neste setor, o engenheiro civil também fica responsável por toda a logística de tráfego a ser suportado pelas novas malhas viárias, respeitando sempre os melhores critérios de mobilidade tanto para os carros quanto aos pedestres e ciclistas.

Saneamento básico

Por estar contido no escopo das obras hídricas, o domínio da geotécnica aprendida durante a graduação é essencial nesta área do processo de urbanização. Isso porque alterações mecânicas no solo podem gerar instabilidades e, assim, tornar vias e habitações inseguras.

Portanto, colocando a prevenção em primeiro lugar, os engenheiros civis precisam ter conhecimento profundo sobre os diferentes tipos de solo que existem no território brasileiro para, a partir daí, projetar e coordenar obras de saneamento básico. Isso significa que estes profissionais têm extrema importância tanto para a saúde quanto à natureza, uma vez que planejam o descarte de resíduos e também podem, por meio da geotécnica, identificar solos contaminados por aterros sanitários e propor reformas sustentáveis.

Desafios para o futuro do urbanismo

De acordo com as previsões da ONU, a população mundial será de 8,6 bilhões em 2030. Ou seja, 700 milhões a mais do que o número de pessoas que habitam o planeta hoje, das quais muitas nascerão nas cidades.

Não à toa, a organização internacional lançou a Nova Agenda Urbana das Nações Unidas, documento no qual foram propostas dez medidas para conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental. Logo no primeiro tópico, a agenda apresenta uma mensagem que ainda não foi aprendida: “ninguém deve ser deixado para trás”. Uma dica do quão desafiador será o futuro.

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Escrito por Redação Afya

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