Pedro Ramos - jul 5, 2019

O futuro em movimento - a mobilidade Urbana Sustentável

Commute é um termo em inglês que refere-se ao deslocamento de uma pessoa, de casa para o local de trabalho e vice-versa. Esse movimento é parte do cotidiano de todas as pessoas e, especialmente nos ambientes urbanos, onde há maior densidade demográfica, pode representar horas perdidas no trânsito e toneladas de poluentes lançados na atmosfera.

A capital São Paulo, por exemplo, uma das maiores megalópoles do mundo, é recordista em congestionamento urbano, com o marco histórico de 1002 quilômetros de engarrafamento, registrado em 11 de setembro de 2015, além de ser a 6ª cidade com o ar mais poluído do mundo. Porém, ainda que seja sintomático de grandes cidades, a mobilidade urbana é um problema que começa a estender-se para o campo e outras regiões despreparadas para receber grandes e crescentes frotas de automóveis. Só nos últimos dez anos, por exemplo, a frota de carros e motos aumentou 400% em todo o país.

Atualmente, o Brasil tem pouco mais de 210 milhões de pessoas. Até 2030, segundo o IBGE, estima-se que esse número atinja a marca de 225 milhões, ou seja, um aumento demográfico de 15 milhões de pessoas para pouco mais de uma década. Compreendendo que a maioria desse contingente populacional residirá em espaços urbanos, é preciso pensar em soluções no presente para um problema que pode se agravar no futuro, já que mais automóveis significa mais tráfego, que pede por mais combustíveis, resulta em mais poluição e, claro, gera mais gastos, em uma espécie de ciclo vicioso. 

Alternativas para o presente

Como saída para um problema crescente e aparentemente irremediável, pouco a pouco novas ideias surgem para transformar o cenário. Quando pensamos em mobilidade urbana, é preciso considerar a fluidez do deslocamento de automóveis e pedestres, bem como o impacto causado no meio ambiente e os gastos consequentes. Assim surgiu a ideia da Mobilidade Urbana Sustentável e suas possibilidades. 

A Mobilidade Urbana sustentável propõe soluções, algumas já praticadas, para curto, médio e longo prazos, tanto para a questão demográfica como no viés ambiental. Profissionais de Arquitetura e Urbanismo trabalham em projetos que priorizam a harmonia entre o desenvolvimento social e a qualidade de vida das pessoas. Dentro dessa área acadêmica, a mobilidade é uma questão de desenho urbano combinada com a eficiência e os impactos dos meios de transporte disponíveis.

Segundo a coordenadora de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade Santo Agostinho de Montes Claros - MG, Chiara Lima, “muitas cidades brasileiras cresceram sem que houvesse uma política de mobilidade urbana que pensasse no interesse dos cidadãos e não privilegiasse apenas o transporte individual, acarretando em diversos problemas para a população, como os congestionamentos, por exemplo. Hoje, enxergamos que a mobilidade urbana é um fator determinante para o bom desempenho de todo o sistema. Com isso, faz-se necessário a implantação de políticas de desestímulo do uso do transporte individual motorizado e estímulo a alternativas sustentáveis de locomoção, além de exigirmos políticas públicas específicas e continuadas.”

Sobre as soluções contemporâneas para a mobilidade urbana, a coordenadora completa: “uma das alternativas amplamente utilizadas são as ciclovias, embora não sejam contempladas de forma satisfatória, pois a malha viária existente nas cidades não é em sua totalidade projetada de maneira adequada. As ciclovias podem não resolver todos os problemas de mobilidade de uma cidade, mas podem, sim, serem fortes aliadas para amenizar muitos desses problemas. Então as estratégias adotadas devem ter um procedimento ou instrumento de análise que possa avaliar as implicações possíveis das medidas implantadas”.

No campo da Engenharia Civil, os desafios da mobilidade urbana voltam-se para a infraestrutura e as vias de trânsito de um espaço urbano. Considerando o crescimento desordenado e em ritmo acelerado das grandes cidades, engenheiros e acadêmicos da área buscam soluções para estruturas que comportem não apenas grandes fluxos de pedestres e automóveis, mas que também viabilizem alternativas inovadoras de transporte e mobilidade urbana.

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O transporte na era dos apps

Começou com uma ideia que virou aplicativo e, hoje, é um dos principais sinônimos de transporte urbano: o Uber. Criado como uma alternativa de transporte, mais rápida e com tarifas mais baratas, o aplicativo não só levou emprego a milhares de pessoas, como também entregou uma solução para reduzir o número de automóveis nas ruas. 

A partir de então, outros aplicativos surgiram com ideias e funcionalidades similares. Alguns apostaram nas soluções mais clássicas e acessíveis, como as bicicletas compartilhadas. Já em setembro de 2017, a empresa americana Bird foi a precursora de uma ideia simples, porém inovadora com seus patinetes elétricos (ou e-scooters), comemorando 10 milhões de viagens realizadas um ano depois de sua fundação. 

A revolucionária ideia dos patinetes elétricos, então, chegou ao Brasil pelos aplicativos da Yellow, SCOO e Grin, disponíveis em grandes capitais como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. Combinando sustentabilidade e diversão, a alternativa ganha popularidade e dá seus sinais de sucesso à medida que expande sua área de atuação no país.

E você, qual a sua ideia de mobilidade urbana sustentável?

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Escrito por Pedro Ramos