Redação Afya - abr 18, 2022

Aprenda a combater a procrastinação com autoconhecimento

Patola, malandro, molenga, enrolado. Para cada região do Brasil em que a Afya está existe uma gíria diferente para chamar quem é adepto à procrastinação. No entanto, relacionar o ato de procrastinar com a falta de vontade de fazer algo ou, mais friamente, à preguiça é um grande erro, sem qualquer fundamento científico. Há quase uma década, pesquisadores canadenses descobriram que procrastinar deve na verdade ser entendido como uma tentativa de reparar um humor negativo a curto prazo.

Na prática, esta reparação acontece à custa dos benefícios que seriam angariados quando a atividade adiada fosse concluída. Portanto, compreender a procrastinação não significa defendê-la como método eficaz para evitar o estresse. Mas, sem dúvidas, ajuda a encontrar formas de ser mais produtivo e este é o nosso intuito com o presente artigo.

A origem da nossa aversão a uma determinada tarefa ou situação pode estar nela mesma, como dar faxina na casa, ou pode derivar de sentimentos relacionados a ela, como a insegurança de se sair mal em um simulado. Inclusive, trata-se também de uma questão física, comumente chamada de “sequestro da amígdala”.

Diante de um compromisso que nos faz sentir ansiosos, a amígdala o percebe como uma ameaça genuína à nossa autoestima. Assim, mesmo que conscientemente nós saibamos que adiar uma obrigação nos causará mais estresse no futuro, nossos cérebros estão biologicamente programados para buscar remover ameaças no agora.

Porém, para nossa sorte, o autoconhecimento é uma ferramenta poderosa para contornar ambos os casos de aversão. E é sobre alguns métodos que você precisa aprender que nós falaremos nos próximos parágrafos.

Se perdoar

Em um estudo de 2010, pesquisadores da Carleton University descobriram que o autoperdão fomenta a melhoria da produtividade. Foi observado que os alunos que conseguiam se perdoar após um episódio de procrastinação enrolavam menos em tarefas seguintes do que os que guardavam remorso.

A pesquisa revelou que isso acontecia porque o ato de perdoar-se estava diretamente relacionado à superação do comportamento desadaptativo. Ou seja, uma vez em paz consigo mesmos, eles eram capazes de se concentrar em outros exames deixando as pendências passadas onde estas pertencem.

Outro estudo também do Canadá, publicado dois anos depois pela Bishop’s University, revelou novas informações sobre a relação entre estresse, autocompaixão e procrastinação. De acordo com o artigo, as pessoas que tratam a si mesmas com gentileza e compreensão desenvolvem uma espécie de “amortecedor emocional” contra reações negativas quando cometem erros.

Na prática, isso é uma ótima notícia por um simples motivo: a autocompaixão não requer nenhum recurso externo além do direcionamento de um terapeuta em certos casos, sendo esta necessidade também mutável. Ou seja, você não precisará de terapia para sempre. E a partir do momento que você estiver compromissado a enfrentar seus desafios com mais aceitação em vez de arrependimento, você vai procrastinar menos.

Criar recompensas maiores do que o bem-estar momentâneo

De acordo com o neurocientista diretor de Pesquisa e Inovação no Centro de Mindfulness da Brown University, nosso cérebro se mantém em um comportamento repetitivo até que uma recompensa melhor lhe é apresentada. Desse modo, é possível quebrar um ciclo de procrastinação com a introdução de hábitos positivos após a conclusão de atividades desafiadoras, por exemplo.

Para tanto, precisamos conhecer nossos valores a fundo para escolher “premiações futuras” que realmente nos motivarão a mudar nosso comportamento. Assim, as chances de substituirmos uma forma de procrastinação [abrir a Netflix] por outra [puxar papo no WhatsApp] serão menores.

Cultivar a curiosidade sobre suas emoções

Outra forma de vencer a procrastinação é atrair a atenção do seu cérebro às suas emoções no momento em que sentir ela se aproximando. Dessa forma, você conseguirá descobrir se é o medo, a tristeza ou se é uma emoção secundária que está desencadeando aquela necessidade de evitar a tarefa por fazer.

Algumas boas perguntas a se fazer são:

  • Que sentimentos estão provocando minha tentação?
  • O que esses sentimentos me lembram?
  • O que acontece com o pensamento de procrastinar enquanto estou me observando? Está mais forte ou mais fraco? 

Mais importante ainda, depois de descobrir, você poderá perceber quais pensamentos estão vinculados àquela emoção e questioná-los para saber se são verdadeiros ou não. Talvez você evite fazer exercícios de matemática porque pensa que nunca acertará uma quantidade satisfatória de questões. Porém, você também sabe que este pensamento não é racional, pois é possível aprender qualquer matéria de Exatas com treinamento.

Além disso, você também deve atentar-se às sensações físicas que seu corpo emite no ato de procrastinar. Ao fazer isso, fica mais fácil mudar de postura e buscar formas de reverter tal reação fisiológica.

Considerar a próxima atividade

Quando está escrevendo uma redação, você já teve a sensação de que melhorar uma ideia ruim que já estava no papel foi mais fácil do que começar um texto bom desde a primeira frase? Pois é! Considerar a próxima atividade no momento de enfrentar a procrastinação funciona mais ou menos da mesma forma.

Por exemplo, você pode trabalhar a primeira etapa de um projeto da faculdade já considerando como montará o PPT para a apresentação final deste. Segundo um dos autores do estudo que citamos na introdução, este processo ajuda a acalmar os nervos, criando uma camada de “autoenganação”.

Outro conselho que o cientista Dr.Pychyl dá é: “não espere pela motivação”, o que também vale para sentir-se inspirado nos casos das redações. Afinal, a motivação segue a ação, logo, o mais importante é começar independente da qualidade inicial.

Tornar suas tentações mais incovenientes

Muita gente já tem o costume de colocar obstáculos entre si e seus vícios, como: excluir aplicativos do celular para ser mais difícil acessá-los, não encher o armário de comidas pouco saudáveis, entre outras coisas. Se você também já tinha ouvido falar disso, mas não pensava que funcionava na prática, bom, aqui está uma bota notícia: funciona, inclusive, contra a procrastinação.

Gretchen Rubin, escritora best-seller do New York Times, explica em um de seus livros que mudar as circunstâncias em que estamos ainda é mais fácil do que mudar a nós mesmos, em nossa essência. Nesse sentido, com certeza a terapia cognitiva comportamental trará melhores resultados de longo prazo, mas, para alívio imediato, tornar as suas tentações mais inconvenientes é uma ótima escolha.

E por que isso funciona? Porque ao dificultar o caminho a uma atividade prazerosa, nós adicionamos frustração e ansiedade a ela, o que a torna menos atraente. Ou seja, a recompensa positiva de procrastinar para fazer aquilo diminui de tamanho e a sua disposição de buscá-la em contraponto à tarefa que precisa executar, também.

Por fim, o processo inverso também é eficaz. Procure analisar tudo que envolve a atividade que você costuma evitar um dia para que você consiga identificar possíveis impedimentos e, assim, removê-los da equação.

Procure ajuda especializada

Nós recorremos a várias fontes de estudos em psicologia para escrever este texto, mas não queremos que vocês encarem este conteúdo como substituto para um terapeuta, pelo simples fato de que não é a mesma coisa! Psicólogos e psiquiatras são os profissionais indicados para te guiar na trilha do autoconhecimento e, sendo possível, tenha ambos ao seu lado neste momento.

Com o auxílio necessário, você logo encontrará formas eficazes de responder ao seu estresse, conseguirá mudar o seu comportamento e sua forma de pensar. Afinal, como pudemos ver acima, vencer a procrastinação e tornar-se mais produtivo não é uma questão de planejamento e gestão de tempo. Mas, sim, de compreender nossas próprias emoções.

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Escrito por Redação Afya

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